quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

A FILHA DO GUARDA DO FAROL




 A FILHA DO GUARDA DO FAROL

THE LIGHTHOUSE KEEPER’S DAUGHTER:
A TRUE STORY

RELIGIOUS TRACT SOCIETY

NEW SHORT STORIES – Nº 11

UM FAROL é uma torre ou construção alta, e a parte mais alta é chamada de “a lanterna,” onde as lâmpadas são ligadas à noite. A luz destas lâmpadas brilha toda noite, para guiar os navios em seu caminho, e para mostrar onde o perigo se deita. O farol parece dizer: “Tome cuidado, marinheiros, pois as rochas e a areia estão aqui. Deem uma boa olhada, e pensem como navegam, ou vocês estarão perdidos.” 

Duas ou três pessoas viviam no farol para acender as lâmpadas. Agora olharemos para uma destas construções na costa de Cornwall.

A pequena Mary estava sozinha no farol. A noite estava chegando, e uma tempestade estava se levantando no mar. Ela ouviu as ondas se chocarem contra as rochas, e o vento soar ao redor da torre.

O pai de Mary tinha limpado as lâmpadas, e elas estavam prontas para iluminar quando a noite chegou. Mas como ele queria comprar alguma comida, ele cruzou o “canal”, que levava a terra. Este canal era um caminho sobre as rochas e areia, que somente poderia ser atravessado por duas ou três horas no dia; nas outras horas as águas subiam e o cobriam. O pai pretendia apressar-se para chegar em casa antes que estivesse escuro, e antes que as ondas fluíssem sobre este caminho para a praia.

Mas, onde estava a mãe de Mary? Ela morreu cerca de dois ou três anos. Ela era uma mulher piedosa, e frequentemente assentava-se no farol sozinha com sua garotinha, ensinando-a a ler numa velha Bíblia grande. Então ela costumava contar a ela sobre Jesus, o Senhor de vida e glória, e como Ele veio ao mundo, e morreu na cruz para salvar pecadores, e como Ele convida os Jovens a vir a Ele, para que possam ser felizes. Bem, como temos dito, o pai de Maria foi à praia. Ele disse a Mary para não ficar com medo, pois ele logo retornaria. Mas havia alguns homens que pareciam rudes atrás de uma rocha, e estavam vigiando o pai de Mary, e pareceram alegres quando o viram ir para a terra. Quem eram eles?

Estes homens eram provocadores de naufrágios. Eles esperavam perto da costa, e se um navio fosse direcionado por uma tempestade para as rochas, se chocavam — não para ajudar os pobres marinheiros — mas para roubá-los e maltratá-los, e saquear o navio.

Os homens malvados sabiam que havia uma garotinha deixada no farol; e eles tinham um plano para manter o pai dela na praia toda a noite. Alguns navios, cheios de boas mercadorias, estavam sendo esperados a passar antes do amanhecer; e eles pensaram que, as lâmpadas no farol não seriam ligadas, estes navios poderiam correr para as rochas e serem afundados, e então as mercadorias poderiam ser despojo deles.

Quão cruel e malvado estes homens devem ter sido para buscar a ruína e a morte dos pobres marinheiros! Mas vemos o quão verdadeiro é o que a Bíblia diz: “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?” (Jeremias 17:9)

O pai de Mary tinha enchido a sua cesta com pão e outras coisas, e tinha se preparado para retornar; pois logo estaria na hora de acender as lâmpadas. Quando ele se aproximava da estrada que levava ao canal, os provocadores de naufrágio correram do seu esconderijo e o arremessaram no chão. Eles rapidamente ataram suas mãos e pés com cordas, e o carregaram para dentro de uma cabana, e lá ficou deitado até o amanhecer. Era em vão que ele gritasse a eles para ser libertado; eles somente zombavam de seu desespero. Eles então o deixaram ao encargo de dois homens, enquanto corriam de volta para a praia.

“Oh, minha doce pequena Mary! O que você fará?” falou o pai, enquanto ele estava deitado na cabana; “lá não haverá ninguém para ligar as lâmpadas: muitos navios podem ser afundados, e centenas de marinheiros podem estar perdidos.”

Mary olhou de uma janela estreita, do farol para a praia, pensando, pois já era hora de seu pai retornar. O relógio na pequena sala tinha justamente batido as seis horas; e ela sabia que as águas logo se levantariam no canal.

Uma hora se passou; o relógio bateu as sete, e Mary ainda olhava para a praia; mas o pai não foi visto. Como o tempo estava pesado, a onda estava perto do caminho; somente partes da rocha aqui e acolá estavam sobre as águas, e elas também logo foram cobertas. “Oh, papai, se apresse,” Mary gritou alto, como que seu pai pudesse ouvi-la: “Você se esqueceu da sua garotinha?” Mas a única resposta era o barulho das águas enquanto elas se levantavam mais e mais alto, e o soar do vento quando dava notícia da chegada da tempestade.

Agora Mary assentou-se e chorou. Provavelmente não haveria luzes acesas naquela noite, e muitos navios poderiam ser afundados.

Enquanto Mary chorava, ela se lembrou do que sua querida mãe costumava dizer, que podemos olhar para Jesus em cada tempo de necessidade. E em um canto da sala, ela ajoelhou-se e orou por ajuda: “Oh Senhor, mostra-me o que fazer, e abençoe o meu querido pai, e traga-o a salvo para casa.”

A água estava agora a alguns pés sobre o canal. O sol tinha se posto a mais de uma hora. Quando a lua se levantou no céu, as negras nuvens da tempestade logo cobriram a vista, e então nenhuma estrela foi vista. Os provocadores de naufrágio ao longo da praia estavam procurando algum navio para afundar na costa. Estes homens esperavam que os navios, não vendo as luzes, poderiam pensar que eles não estavam perto da costa, e poderiam ser lançados sobre as rochas.

Justamente neste momento um pensamento veio à mente de Mary que ela poderia tentar acender as lâmpadas. Mas o que poderia uma garota fazer? As lâmpadas ficavam distante do alcance dela. Ela, contudo, fez umas poucas tentativas, e acendeu uma luz. O próximo passo foi carregar algumas coisas para o local e tentar alcançar as lâmpadas. Mas depois de muito trabalho ela descobriu que elas ainda estavam muito acima de sua cabeça. Uma pequena mesa que estava perto foi trazida para baixo, e Mary colocou os pés sobre ela, e subiu até o topo com esperança e alegria, pois agora ela estava quase certa que ela poderia acender as lâmpadas. Mas, não; ainda que ela ficasse na ponta dos pés, eles ficavam mesmo um pouco mais alto do que ela poderia alcançar. “Se eu tivesse uma vara,” ela disse, “Eu poderia amarrar um fósforo a ele, e, então eu poderia acender a luz nos pavios.” Porém nenhuma vara, nem qualquer coisa do tipo foi achada.

A tempestade agora se tornou completamente medonha. Os marinheiros olharam ao longo da costa para as luzes. Onde eles poderiam estar? Eles tinham trazido os seus navios numa direção errada? Eles estavam perdidos para dizer, e não sabiam a maneira para se guiarem.

Todo este tempo o pai de Mary estava orando na cabana, para que Deus tomasse conta de sua criança no farol solitário e escuro.

A pobre Mary estava perto de se sentar novamente, e chorar, quando ela pensou na velha Bíblia grande no cômodo abaixo. Mas como ela pisaria sobre aquele livro? Era a Santa Palavra de Deus, que sua mãe tanto amava ler. “É para salvar uma vida,” disse ela; “e se a mamãe estivesse aqui, ela não me permitiria pegá-la?” Mary não menosprezou a Bíblia de sua mãe: até sua própria capa era preciosa a sua vista.

Num instante o livro grande foi trazido e colocado sob os seus pés, e ela subiu novamente. Sim; ela estava com altura suficiente; então ela tocou um pavio, e outro, e outro, até que os raios das luzes brilhavam ao longe sobre as águas escuras. O pai viu a luz quando ele estava caído na cabana, e agradeceu a Deus, que tinha enviado ajuda —ainda que ele não soubesse como — na hora do perigo. Os marinheiros avistaram a luz, e conduziram os seus navios longe das rochas, e foram salvos. E os provocadores de naufrágios também avistaram a luz, e ficaram cheios de ira, pois o cruel plano deles tinha falhado completamente.

Toda aquela noite tempestuosa as lâmpadas lançaram os seus raios sobre o mar espumoso; e quando a manhã veio, os provocadores de naufrágios libertaram o pai da cabana. A água estava novamente baixa no canal, e ele logo estava no farol, lá soube de sua garotinha a maneira pela qual Deus a tinha ajudado na hora de sua provação. Corajosa pequena Mary! Não podíamos esperar que a bendita Bíblia fosse “uma lâmpada para os pés dela e luz para o seu caminho” através de toda a sua vida, e que ela a guiaria para o céu, para lá encontrar a sua querida mãe e para não partir mais?

Jovem leitor: você tem a luz da vida?  O Espírito Santo te levou a crer em Jesus como seu Salvador? Se sim, deixe a sua luz brilhar — deixe-a ser vista num temperamento santo e numa conduta santa. E quando o mal tentar tirar a verdadeira luz da verdade de Deus, você se esforçará para colocá-la no mundo, para que os homens possam ser salvos.

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