terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

A CONVERSÃO DE UM ATEU




José Baker,
um ateu convicto, que durante alguns anos percorreu o país realizando conferências sobre o Ateísmo, pregava um dia em uma sala de uma pequena cidade, onde propôs ao auditório a seguinte questão: Se existisse realmente um Deus, não credes vós que deveria incomodar-se comigo, que levo a vida a negar sua existência? Entretanto, vede como tudo me sucede prosperamente; sou forte, estou sempre de bom humor, sinto-me sempre agradavelmente disposto, capaz de fazer rir aos outros, assim como qualquer um de vós. Ainda podeis crer que, se Deus realmente existisse, não manifestaria de um modo qualquer o seu descontentamento para comigo, que de contínuo o blasfemo?
    A estas palavras, ergueu-se no auditório um camponês e disse:

– Tenho em minha casa um cão muito dado ao costume de ladrar a tudo quanto enxerga. A mesma lua, quando aponta no sereno azul do céu, ele a saúda com seus latidos. E que faz a lua? Prossegue tranquila a derramar seu brilho e a ostentar sua magnificência, sem sequer tomar nota dos latidos desse ente irracional.

    O mesmo sucede com o orador que temos a honra de ouvir. Late contra o Altíssimo como o cão contra a lua. E que faz Deus?
     “Faz que o sol se levante sobre os maus e sobre os bons, e a chuva desça sobre os justos e os injustos.” Ele é longânime, porquanto tem diante de si toda uma eternidade.

    Vi, porém, um dia em que fará contas com os homens.

     Estas, palavras simples, mas persuasivas do rude camponês produziram funda impressão no auditório. E o testemunho ali deposto não foi de todo inútil. Barker reconheceu mais tarde o erro em que estava, humilhou-se diante de Deus e terminou a sua carreira ao serviço do Evangelho. Reconheceu que, se Deus o havia sofrido com tanta paciência, não foi isto em virtude de sua impotência para o punir, antes, a consequência de sua compaixão e indizível longanimidade.

 
O ARAUTO DA VERDADE.
VOL. I, Nº 01, RIO DE JANEIRO-RJ, JULHO DE 1900, p. 12.

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