terça-feira, 24 de março de 2015

A vida do velho homem: Andrew Murray





“Se alguém quer vir após Mim, a si mesmo se negue, 
tome a sua cruz e siga-Me” 
(Mateus 16.24).

Em Mateus 16, lemos que Jesus perguntou aos Seus discípulos em Cesareia de Filipe: “Quem diz o povo ser o Filho do Homem?”. Depois de ouvir suas respostas, Ele ainda lhes perguntou: “Mas vós, quem dizeis que Eu sou?”. Pedro, então, respondeu: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”.

“Então, Jesus lhe afirmou: Bem-aventurado és, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelaram, mas Meu Pai, que está nos céus. Também Eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (versículos 16,17).  

Pouco depois, Jesus começou a falar aos discípulos a respeito de Sua iminente morte. Imediatamente, Pedro o repreendeu: Tem compaixão de Ti, Senhor; isso de modo algum te acontecerá. Mas Jesus, voltando-Se, disse a Pedro: Arreda, Satanás! Tu és para Mim pedra de tropeço, porque não cogitas das coisas de Deus, e sim das dos homens. Então, disse Jesus a Seus discípulos: Se alguém quer vir após Mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-Me” (versículos 22-24).

Frequentemente, ouvimos falar de cristãos que vivem conformados com o mundo, e surge a pergunta: qual a verdadeira causa disso? O que leva tantos discípulos de Jesus a desperdiçar suas vidas, aceitando a terrível escravidão da carne ao invés de desfrutar da liberdade, dos privilégios e da glória dos filhos de Deus?

Outra pergunta, também, vem nos incomodar: quando enfrentamos uma coisa errada e tentamos lutar contra ela, por que não conseguimos vencê-la? Qual seria a explicação de ainda vivermos uma vida misturada, dividida e morna, tendo em vista que já oramos e fizemos centenas de resoluções de abandonar a prática errada?

A essas duas perguntas há uma única resposta: é a vida do velho homem que está por trás de todos os nossos problemas. Por isso, quando alguém me pergunta: “Como posso me livrar desta vida carnal e contaminada?”, minha resposta não é: “Você precisa fazer isso, ou agir dessa forma ou se esforçar mais”. A resposta só pode ser: “Uma nova vida que vem do alto, a vida de Cristo, precisa tomar o lugar do velho homem. Só assim é que seremos vencedores”.

Considere neste texto a expressão “si mesmo”. Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me.”

Esta é a marca do discípulo. O segredo da vida cristã é negar a si mesmo, pois, ao fazer isso, todas as demais coisas entram nos eixos. Pedro era um discípulo, uma pessoa ensinada pelo Espírito Santo. Ele acabara de dar uma resposta que agradou a Jesus profundamente: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”.

Não pense que foi algo normal ou comum. Nós aprendemos a verdade dessa confissão no catecismo ou nas aulas bíblicas; Pedro não a aprendeu em lugar nenhum. Jesus viu que o Espírito do Pai havia-lhe ensinado e disse: “Bem-aventurado és, Simão Barjonas”.

Veja, porém, como o homem carnal em Pedro ainda era forte. Quando Jesus começou a falar de sua cruz, Pedro continuou a pensar sobre a glória: “Tu és o Filho de Deus”. A cruz e a morte de Jesus não penetraram em sua mente. Ele ainda persistiu em sua autoconfiança e disse: “Nunca, Senhor! Isso jamais te sucederá. Tu não podes ser crucificado e morrer”.

Foi por isso que Jesus precisou repreendê-lo: “Arreda, Satanás! Tu és para mim pedra de tropeço, porque não cogitas das coisas de Deus, e sim das dos homens”. Em outras palavras, Pedro estava falando como um mero homem carnal e não como o Espírito de Deus queria lhe ensinar.

A seguir, Jesus ainda foi mais além e disse a Pedro: “Lembre-se, não sou só eu que vou morrer; você também vai. Se alguém quiser ser meu discípulo, ele precisará negar a si mesmo, tomar sua cruz e me seguir”.

Vamos ficar focados nesta única expressão: “si mesmo”. É só quando aprendermos a discernir o que é a vida natural, a vida do velho homem, que entenderemos onde está a raiz de todos os nossos fracassos e estaremos preparados para ir a Cristo em busca de libertação.

A natureza do velho homem

Vamos considerar, em primeiro lugar, a natureza do velho homem. Depois observaremos algumas de suas obras e faremos a pergunta: “Como podemos ser libertos dele?”.

O “eu” é a força criada por Deus com a qual ele dotou cada criatura inteligente. É o próprio centro de existência de um ser criado.

Por que Deus deu aos anjos e ao homem um “eu”? O objetivo era que cada um pudesse trazer a vida pessoal como um recipiente vazio para que Deus o enchesse com a vida divina. Deus me deu o poder da autodeterminação para que eu pudesse entregar-me a ele todos os dias e dizer: “Ó Deus, opera no meu ‘eu’; ofereço-me a ti”. 

Deus queria um vaso para poder enchê-lo com sua divina plenitude de beleza, sabedoria e poder. Ele criou o mundo, o sol, a lua e as estrelas, as árvores, as flores e a grama para mostrar as riquezas de sua bondade, sabedoria e engenhosidade. A criação cumpre esse propósito, mesmo sem saber o que está fazendo.

Em contraste, Deus criou os anjos com personalidade e vontade próprias para ver se se renderiam voluntariamente como recipientes vazios a serem preenchidos por ele. Infelizmente, nem todos o fizeram. Um deles, chefe de uma grande companhia de anjos, começou a olhar para si mesmo. Viu os maravilhosos poderes que lhe foram conferidos por Deus e começou a deleitar-se em si mesmo. Pensou: “Será que um ser como eu terá que depender para sempre de Deus?”.

Ele se exaltou, o orgulho se autoafirmou em independência de Deus e, naquele momento, ele se transformou de um anjo celestial em um demônio do inferno. Uma vida própria, rendida a Deus, é a glória de permitir que o Criador se revele na criatura. Uma vida própria, independente de Deus, é a fonte de escuridão e fogo do inferno.

Todos nós conhecemos a terrível história do que sucedeu depois. Deus criou o homem, e Satanás veio na forma de serpente para tentar Eva com o desejo de tornar-se como Deus, tendo uma vida independente, conhecendo o bem e o mal. Enquanto falava com ela, Satanás soprou no seu interior suas palavras venenosas e o próprio orgulho do inferno. Com isso, seu espírito maligno, impregnado com veneno mortífero, entrou na humanidade. É essa vida maldita que herdamos dos nossos primeiros pais.

Foi exatamente esse “eu” independente que arruinou o mundo e trouxe destruição, pecado, trevas, desgraça e miséria sobre a humanidade. Tudo o que permanecerá durante os séculos infindáveis da eternidade no inferno será apenas o domínio do “eu”, da maldição da independência, separando e afastando o homem de seu Deus e Criador. Se quisermos entender plenamente o que Cristo fará por nós, se quisermos nos tornar participantes da salvação completa, teremos de aprender a conhecer, a detestar e a rejeitar inteiramente esse “eu” maldito.

As obras do velho homem

Quais são, então, as obras que essa vida própria, contaminada com a natureza maligna, produz? Eu poderia citar muitas, mas quero concentrar-me nas palavras mais simples e evidentes que descrevem a vida do velho homem que precisa ser negada e crucificada continuamente: vontade própria, autoconfiança e autoexaltação.

Vontade própria ou agradar a si mesmo é o grande pecado do homem. É a razão por que se faz tanta concessão ao mundo e à carne, causando a ruína de incontáveis cristãos.

As pessoas não entendem por que não deveriam agradar a si mesmas e fazer sua própria vontade. A maioria dos cristãos nunca conseguiu captar a ideia que um discípulo de Jesus é alguém que nunca busca sua própria vontade, senão somente a vontade de Deus, uma pessoa em quem habita o Espírito de Cristo. “Eis aqui estou para fazer, ó Deus, a tua vontade” (Hb 10.9). Vemos cristãos agradando a si mesmos de mil e uma maneiras e tentando, ao mesmo tempo, ser felizes, bons e úteis. Não entenderam que sua vontade própria lhes rouba da bênção já na raiz de suas ações. Cristo disse a Pedro: “Negue a si mesmo”. Ao invés de fazer isso, Pedro disse: “Negarei ao meu Senhor, mas não a mim mesmo”.

Ele nunca disse isso em palavras, evidentemente, mas Cristo o advertiu na última noite de que iria negá-lo, e foi assim que aconteceu. Qual foi a causa de sua queda? O desejo de agradar ou proteger a si mesmo. Ele ficou com medo quando a criada o acusou de ser um seguidor de Jesus. Três vezes, ele disse: “Não conheço este homem, nada tenho a ver com ele”. Ele negou a Jesus. 

Pense nisso! Não é de se admirar que Pedro tenha chorado amargamente depois. Foi uma escolha entre a vida própria, aquele horrendo e maldito “eu”, e o formoso, bendito Filho de Deus. E Pedro escolheu a vida própria. Por isso, ao cair em si, ele percebeu: “Ao invés de negar a mim mesmo, neguei a Jesus. Que escolha horrível eu fiz!”. Não deve nos causar nenhum espanto que tenha chorado amargamente. 

Cristão, olhe para sua vida à luz das palavras de Jesus. Você encontra ali vontade própria que sempre opta por agradar a si mesmo? Lembre: cada vez que você procura agradar a si mesmo, você nega a Jesus. É somente um dos dois. Você precisa agradar somente a ele e negar a si mesmo; do contrário, agradará a si mesmo e negará a ele.

Depois vêm a autoconfiança, a autossuficiência e a autodependência. O que levou Pedro a negar Jesus? Cristo o havia advertido; por que ele não se preparou? A resposta é autoconfiança. Ele estava muito seguro de si: “Senhor, eu te amo. Durante três anos, tenho te seguido. Estou pronto para ir à prisão ou à morte”. Foi pura autoconfiança.

As pessoas sempre me perguntam: “Por que eu fracasso? Desejo tão intensamente e oro com tanto fervor para viver na vontade de Deus”. Minha resposta geralmente é: “Porque você confia em si mesmo”.

Normalmente, retrucam: “Não, não confio em mim. Sei que não sou bom. Sei que Deus está pronto para me guardar. Estou colocando minha confiança em Jesus”.

Mas eu respondo: “Não, meu querido. Se você confiar em Deus, jamais cairá. O fracasso vem quando confia em si mesmo”.

Precisamos acreditar: a causa de todas as falhas na vida cristã é simplesmente esta. Eu confio na vida própria (maldita e contaminada) ao invés de confiar em Jesus. Confio na minha própria força ao invés de confiar na força infinita de Deus. É por isso que Jesus disse: “Esta vida natural precisa ser negada”.

Temos também a autoexaltação, outra manifestação da vida natural. Ah, quanto orgulho e inveja há entre os cristãos! Quanta preocupação com o que as pessoas dizem ou pensam de nós! Quanto desejo de louvor humano e de agradar às pessoas no lugar de viver na presença de Deus com o único pensamento: “Estou vivendo para agradar a ele?”.

Cristo perguntou: “Como podeis crer, vós os que aceitais glória uns dos outros?” (Jo 5.44). Receber louvor de alguém torna a vida de fé simplesmente impossível. A vida do “eu” originou-se lá no inferno. Separou-nos de Deus e tornou-se um terrível enganador que nos afasta de Jesus.

A troca solene

Chegamos agora ao terceiro ponto: como podemos nos livrar desta vida natural? Jesus nos responde no texto original: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me”.

Note bem: preciso negar a mim mesmo e tomar o próprio Jesus como minha vida. Preciso fazer uma escolha. Há duas vidas: a vida do “eu” e a vida de Cristo. Preciso escolher uma das duas. “Siga-me”, diz o nosso Senhor. “Faça de mim a lei da sua existência, a regra de sua conduta. Dê-me todo o seu coração. Siga-me e cuidarei de você.”

Ó amigo, veja a solene troca que nos foi proposta. Venha e veja o perigo da vida deste “eu” com seu orgulho e maldade, lance-se diante do Filho de Deus e diga: “Nego a minha própria vida, tomo a tua vida como a minha”.

A razão por que os cristãos continuam orando sem resultados para que a vida de Cristo se manifeste neles é que não estão negando a si mesmos. Então, você perguntará: “Como posso me livrar desta vida do velho homem?”.

Você conhece a parábola: o homem forte guardou a sua casa até que um mais forte do que ele veio e o expulsou. Quando o lugar ficou desocupado, varrido e arrumado, ele voltou com sete outros espíritos piores do que ele (Lc 11.21-26). É somente quando o próprio Cristo entra que o “eu” pode ser expulso e mantido fora da casa. Este homem velho deseja permanecer conosco até o fim.

Lembre-se do apóstolo Paulo. Ele havia visto a visão celestial e, para que não se exaltasse, um espinho na carne lhe foi enviado para humilhá-lo (2 Co 12.2-9). Havia uma tendência de se exaltar, o que era natural, e sua carne o teria conquistado se Jesus não o tivesse libertado com seu cuidado fiel pelo servo amado. Jesus Cristo é capaz, por sua divina graça, de impedir que o poder do velho homem volte a se afirmar ou que ganhe a supremacia. Jesus Cristo deseja se tornar a vida da nossa alma. Ele está disposto a ensinar-nos a segui-lo e a fixar nosso coração e nossa vida somente nele. Ele deve ser eternamente a luz da nossa alma.

Chegaremos, assim, à realidade do que Paulo descreveu: “Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim” (Gl 2.20). As duas verdades precisam andar juntas. Primeiro é “não sou eu”; depois vem “mas Cristo vive em mim”.

Veja Pedro outra vez. Jesus lhe disse: “Negue a si mesmo e siga-me”. Para onde ele teria de seguir? Jesus continuou guiando Pedro, mesmo quando ele falhou. Para onde o levou? Jesus o conduziu até o Getsêmani, e foi lá que Pedro falhou. Primeiro, dormiu quando deveria ter ficado acordado, vigiando e orando. Depois, Jesus o levou em direção ao Calvário, ao lugar onde Pedro o negou.

Era Jesus que o estava guiando? Louvado seja Deus, era direção de Jesus. O Espírito Santo ainda não fora derramado em poder. Pedro ainda era um homem carnal. Seu espírito estava disposto, porém incapaz de conquistar a natureza pecaminosa.

O que Jesus fez, então? Ele continuou a guiar Pedro para um lugar de quebrantamento e total abatimento e humilhação, da mais profunda tristeza. Jesus o conduziu, para além da sepultura e da ressurreição, até o dia de Pentecostes. Então o Espírito Santo veio, trazendo o próprio Cristo para viver nele com sua vida divina. Daí em diante era: “Cristo vive em mim”.

Só existe uma forma de se libertar desta vida do “eu”. Teremos de seguir a Cristo, fixar nosso coração nele, ouvir seus ensinamentos, entregar-nos a ele cada dia para que ele seja tudo para nós. Pelo poder de Cristo, negar a si mesmo será uma realidade bendita e contínua. Nunca, por um instante, espero que um cristão chegue ao ponto de dizer: “Não tenho mais nada do ‘eu’ a ser negado”. Nunca, por um segundo, poderemos dizer: “Não preciso mais negar a mim mesmo”.

Não, essa comunhão com a cruz de Cristo será um processo incessante de negar a si mesmo, a cada hora e a cada momento pela graça de Deus. Não existe um lugar de plena libertação do poder deste velho homem pecaminoso. Precisamos manter a posição de estar crucificado com Cristo Jesus. Devemos viver com ele como aqueles que foram batizados em sua morte.

Pense nisso! Cristo não tinha um “eu” pecaminoso, mas tinha um “eu”, uma vida e uma consciência humana. Ele realmente entregou sua própria vida até a morte. No Getsêmani, ele disse: “Pai, não seja feita minha vontade”. Ele entregou sua vida própria, sem pecado, até a morte, para poder recebê-la de volta, da sepultura, devolvida por Deus, ressuscitada e glorificada. Podemos ter expectativa de entrar na vida eterna de forma diferente?

Tome cuidado! Lembre que Cristo desceu à morte e à sepultura e que é na morte do “eu”, seguindo a Jesus até a última instância, que a libertação e a vida nos serão dadas.

Humilhe-se diante do Senhor

Finalmente, que aplicação faremos desta lição do Mestre?

A primeira lição é que devemos tomar tempo para nos humilhar diante de Deus. Pense em tudo o que o velho homem é de fato; coloque na conta dele cada pecado, cada defeito, cada falha e tudo o que tem desonrado a Deus. Depois, diga: “Senhor, é exatamente isso o que sou”. Finalmente, deixe o bendito Cristo Jesus tomar todo o controle de sua vida, crendo que a vida dele pode ser sua.

Não pense que é tarefa fácil se livrar do seu “eu”. Num culto de consagração e entrega, é relativamente fácil fazer um voto, oferecer uma oração e fazer um ato de rendição; no entanto, tão solene e grave quanto foi a morte de Cristo no Calvário – quando entregou sua vida e vontade imaculadas a Deus – a entrega do “eu” à morte precisa ser uma transação igualmente solene entre nós e Deus. O poder da morte de Cristo precisa operar em nós todos os dias.

Pense no imenso contraste entre o voluntarioso Pedro e Jesus, quando cada um rendeu sua vontade a Deus! Que abismo havia entre aquela autoexaltação de Pedro e a profunda humildade do Cordeiro de Deus, manso e quebrantado de coração diante de Deus e do homem! Que contraste havia entre a autoconfiança de Pedro e a total dependência de Jesus no Pai quando ele disse: “Nada posso fazer por mim mesmo”.

 Fomos chamados para viver a vida de Cristo, e para permitir que Cristo venha viver sua vida em nós. Entretanto, uma coisa precisa acontecer antes: aprender a odiar e a negar o velho homem. Como Pedro disse, quando negou a Jesus: “Nada tenho a ver com ele”, assim nós precisamos dizer: “Nada tenho a ver com o velho homem”, para que Cristo Jesus possa ser tudo em todos.

Vamos humilhar-nos ao pensar naquilo que o nosso “eu” tem feito a nós mesmos e como tem desonrado a Jesus. Oremos com muito fervor: “Senhor, por tua luz, desnuda o meu velho homem. Suplico que o reveles totalmente a mim. Abre os meus olhos para que veja o que tem feito e como tem me impedido de viver a tua vontade”.

Oremos assim com muita intensidade e esperemos em Deus até que sejamos afastados de todos os nossos exercícios, experiências e bênçãos religiosos, até que consigamos nos aproximar de Deus com apenas uma oração: “Senhor Deus, a exaltação do ‘eu’ transformou um arcanjo num demônio e arruinou os pais de toda a humanidade. Foi a preservação do ‘eu’ que os expulsou do Paraíso para trevas e miséria, e esse velho homem tem sido a ruína da minha própria vida e a causa de todos os meus fracassos. Manifesta-o totalmente para mim”.

Só então virá a bendita troca quando somos capacitados e preparados para dizer: “Outra pessoa viverá por mim”. Nada mais nos satisfará. Negue a si mesmo, tome a cruz para morrer com Jesus, siga somente a ele.

Que ele nos dê graça para entender, receber e viver a vida de Cristo.
  
Extraído de “The Master’s Indwelling” (A Habitação Interior do Mestre), por Andrew Murray.

 http://www.oarautodasuavinda.com.br/a-vida-do-velho-homem

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