segunda-feira, 12 de outubro de 2015

MÊS DA REFORMA PROTESTANTE: MARCAS DA FÉ EVANGÉLICA NO BRASIL - DIA 12




Diz o Progresso de Tatuhy:

“O Sr. J. Zacharias de Miranda, pastor da Igreja Evangélica Presbiteriana de Sorocaba, foi à vila de S. João Baptista do Guarehy desta comarca, pregar a palavra de Deus a seus irmãos, membros da mesma igreja, e aos que quisessem ouvir.

“No dia 26 começou a exercer as suas funções pastorais e no dia seguinte recebeu um aviso de que uma parte da população se preparava para, no dia 28 ou 29, às horas do culto, expulsá-lo da terra, à força bruta.

“Nestes apuros, o pastor evangélico tomou a resolução de pedir providências ao Sr. Dr. Juiz de Direito da comarca, para se livrarem – ele e os membros da sua igreja – do conflito que possa resultar da agressão que se prepara.

“O Sr. Dr. Juiz de Direito atendendo ao pedido de providências que lhe foi feito, convidou o delegado de polícia em exercício, o Sr. capitão Deolindo José da Rocha, a ir ao Guarehy manter a ordem pública ameaçada de perturbação.

“O Sr. delegado de polícia seguiu anteontem para o Guarehy.”

“Fomos abençoados desta vez com a perseguição. O Senhor fez brilhar a sua luz no meio da tormenta que nos ameaçava. O pároco do Guarehy concitou o povo contra mim para não me deixar pregar e um indivíduo saiu pelos bairros a convidar o povo para me expulsarem da vila à força bruta. Conseguiu armar contra mim uma porção de assassinos (consta-me que mais de cem) e só esperavam o dia e a hora para me assaltarem. O dia designado era o Sábado (29). Oficiamos à autoridade do lugar e não houve providências. Então oficiei ao Sr. Dr. Juiz de Direito d eTatuhy, e este digno magistrado, que sabe compreender a sua missão, qual a de ser a garantia da liberdade do povo, fez seguir para Guarehy o delegado de polícia com algumas praças, e assim malogrou-se o plano dos inimigos do Evangelho.

“Graças a Deus que, por um ou outro modo, faz o seu Evangelho triunfar da má vontade dos homens. A perseguição que foi armada com o fim de obstar à pregação do Evangelho, não só não conseguiu o seu fim, pois preguei todos os dias (exceto um, por motivo de doença) e com toda a liberdade; mas ainda deu lugar a que muitíssimas pessoas que não assistiam aos cultos, fossem frequentadores assíduos às nossas reuniões.”

IMPRENSA EVANGELICA.
VOL. XX, Nº 7, SÃO PAULO, 12 DE ABRIL DE 1884, p. 54-55.

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