quinta-feira, 8 de outubro de 2015

MÊS DA REFORMA PROTESTANTE: MARCAS DA FÉ EVANGÉLICA NO BRASIL - DIA 08



A primeira cousa que Nosso Senhor nos dá a entender é o perigo de seguir caminho errado. Há dois caminhos, e cada um deles tem sua porta. Bem se vê pois que há perigo de errar. Este perigo não consiste em ser um destes caminhos mais curto e mais cômodo do que o outro, de sorte que o viajante que faz má escolha terá que sofrer mais incômodos e trabalhos, porém a final chegará ao lugar onde todos chegam. Pelo contrario; um caminho conduz à perdição, e o outro à vida eterna. Não são estradas paralelas entre si, nem a cada passo ha trilhos por onde se possa passar de uma para a outra à vontade do viajante. 


Estes dois caminhos se afastam cada vez mais um do outro, pois um leva à perdição, e o outro conduz à salvação. Quanto à largura tem igual diferença. O caminho que guia para a perdição é espaçoso; enquanto o da vida é apertado. Este é estreito e difícil; porém aquele é largo e cômodo. Eis um fato bem assustador! O caminho da perdição é espaçoso e por tanto fácil de achar e de
seguir; o da vida é apertado, incômodo, e difícil de acertar.

Cada um deles tem sua porta pela qual os viajantes entram. Uma destas portas é estreita, e a outra larga; e, para aumento do perigo, a porta por onde entram aqueles que se salvam é estreita; enquanto que é larga a porta que dá entrada ao caminho da perdição.

Oh! Senhor! que nos descobristes estas verdades tão solenes, faze-nos fugir do caminho da perdição! dirige os nossos passos pelo caminho da vida!

Sobre o sentido espiritual que convém dar a estas palavras, felizmente não há dúvida.

Jesus nos diz:

“Eu sou a porta. Se alguém entrar por Mim, será salvo: e ele entrará, e sairá, e achará pastagens.” S. João 10:9.

“Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida : ninguém
vem ao Pai, senão por Mim.” S. João 14:6.

É esta a doutrina que brilha em cada página do livro inspirado, e que, bem entendida, toca e abranda o coração, inclina a vontade para o bem, e livra a alma dos receios e incertezas que lhe tiram a paz e o descanso.

Jesus é o fácil meio de alcançar a vida eterna. Pela sua paixão, intercessão e auxílio, todo o pecador pode chegar a ser salvo e bem-aventurado; e sem fé Nele ninguém se salva.

Porém dir-se-á: Como pode ser estreita esta porta, sendo a bondade de Jesus tão ilimitada, tão infinita? E como será apertado o caminho que guia para a vida, quando é verdade que Jesus convida a todos os pecadores a se chegarem a Ele, dizendo: “o que vem a Mim, não o lançarei fora?” S. João 6:37.

Dizendo que é estreita a porta e apertado o caminho, Nosso Senhor deu a entender aos Fariseus e hipócritas que o escutavam, e também a nós que agora estudamos as Suas palavras, que não há salvação sem haver santificação. Eis aqui a estreiteza da porta. Para lá entrar é preciso largar os vícios, os maus pensamentos e os desejos impuros. Antes de descansar no sacrifício e nos merecimentos de Cristo, é mister sentirdes e confessardes a vossa culpa. Ninguém jamais aceitou a graça de Nosso Senhor antes de ver-se obrigado a isto pelas suas necessidades. O soberbo não pode ir a Jesus: é necessário que se torne humilde. O hipócrita não pode entrar no caminho que guia para a vida sem que largue a hipocrisia. O homem cheio de vícios não pode entrar assim carregado.

[...].
 

Para ser cristão é necessário ser nova criatura; é necessário estar arrependido e contrito do coração; é necessário sentir e confessar a nossa insuficiência e fraqueza; e, sentindo e confessando tudo isto, é-nos necessário dizer do coração: “Senhor, salva-nos, que perecemos.”

A fé que Jesus exige de nós, exclui a menor fé em outros e em nós mesmos. “Ele veio salvar aos pecadores, e aquele que não se confessa tal, não poderá salvar-se.



*** Os discursos contidos neste volume foram pregados no Rio de Janeiro, nos anos de 1864 a 1867, pelo Rev. A. G. Simonton, que foi o fundador e o primeiro pastor da Igreja Evangelica Presbyteriana daquela cidade. (Informação do Prefácio)

SERMÕES ESCOLHIDOS. Rev. A. G. Simonton.

Nova Iorque: G. L. Shearer,1869, p. 13-15

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