sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

A ORAÇÃO MODELO – JORGE DE BARROS



      Moldes são importantes à indústria moderna. A visita a qualquer fábrica expõe-nos a estes recursos que garantem resultados idênticos e consecutivos: moldes para automóveis, moldes para vestuário, moldes para o fabrico de blocos, telhas e vigas que susterão pressões e choques.

    Solicitado pelos discípulos, Jesus apresentou um molde adequado para as nossas orações. O essencial aqui não é a expressão verbal utilizada. A maioria dos leitores (e este vosso amigo) teriam dificuldade em reproduzir a oração dominical nas línguas do Novo Testamento. Mas qualquer tradução fidedigna preserva o espírito e a intenção do Mestre.

    Primeiramente, Ele fez a distinção entre orações. Já tinha sido informado de como os discípulos de João oravam. Conhecia, pessoalmente, os hábitos do culto judeu, as orações tradicionais repetidas com lamento e o balancear cadenciado do corpo. Jesus apresenta o molde da oração dinâmica. Os Seus discípulos viviam a liberdade evangélica. A Oração Dominical traduzia, pois, um clima novo. 

      “Pai”. Em Mateus o conceito é ainda reforçado: Pai nosso (Mateus 6:9). A oração toma logo um cunho íntimo, um à vontade respeitoso, mas cheio de carinho. Pai ou Pai nosso: Alguém que nos conhece bem e torna insustentável qualquer traço de hipocrisia, pois formou cada célula do nosso corpo. Pai: Alguém cujo interesse não tem de ser granjeado, pois nos deu o ser. Ele já estava interessado em nós, mesmo antes de Lhe dirigirmos uma petição. Pai: Pessoa que, ocasionalmente, corrige e castiga, mas constantemente alimenta, veste, instrui e acaricia. Pai: Alguém que Se vê retratado em nós, na miniatura da nossa infância espiritual.
     Que estás no céu (Mateus 6:9). Aqui a transferência é monumental. Não se trata de um pai qualquer. É o Pai que está no céu – portanto, livre de limitações que tolhem os movimentos, a vontade e os planos dos nossos progenitores da terra. Ele não pode ser resistido pelas forças contraditórias da vida. Ele não está sujeito às flutuações do cruzeiro, escudo, dólar ou qualquer outra divisa internacional. Ele ocupa o trono mais alto; é Senhor do governo mais forte; é Dono do tesouro permanente. É Deus e Pai, Pai e Deus.

   Deuses da terra – ou de terra – não servem. Jesus apontou o lugar certo, o único que podia e pode acudir a necessidades profundas da minha e da tua vida: o céu. A nossa frustração aumenta sempre que olhamos à volta: nada parece escapar à corrupção universal. Mas reafirmamos padrões de justiça, moralidade, esperança e fraternidade – quando olhamos para o céu.

      Os nossos temores são atenuados e até desfeitos sempre que pensamos nos recursos do Altíssimo. O Salmista disse, tranquilizado: “Nada me faltará” (Salmo 23).

O ARAUTO DA SANTIDADE.
Volume IX, Nº 5, 1º de Março de 1980, p. 2.

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