quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

25 REFLEXÕES DE NATAL: PARTE II




Porque me fez grandes coisas o Poderoso;

e Santo é o Seu nome.

E a Sua misericórdia é de geração em geração

sobre os que O temem.

Lucas 1: 49-50



“ACHASTE GRAÇA”

   O Natal tem música própria. Em qualquer língua ou latitude suas melodias traduzem a mais bela e colorida época do ano.

     O Natal tem, também, um vocabulário próprio. Usam-se nesta quadra palavras que estiveram quase que olvidadas em onze meses do ano. De repente, ganham vida e reproduzem-se em cartões multicores, em cumprimentos de amigos, em telegramas e telefonemas cordiais.

    Há uma palavra que o Natal adicionou para sempre ao vocabulário da humanidade: GRAÇA. Na famosa narrativa do primeiro capítulo do Evangelho de Lucas, o anjo Gabriel disse achaste graça diante de Deus à Virgem de Nazaré: “Maria, não temas, porque” (Lucas 1:30).
     A palavra circulava no grego da época com o significado difuso de atrativo, “qualidade do que é agradável ou do que atrai”. Também, uma vez ou outra, como expressão de agradecimento, apreço por favor recebido, uma espécie do nosso tão comum obrigado.

    Foi o Natal, porém, que cunhou a palavra e a impregnou com o sentido mais precioso de que pode revestir-se uma expressão. Maria ouviu-a primeiro: Achaste graça. A construção revela que nenhum dos sentidos anteriormente dados à palavra se aplicavam à mensagem do anjo.

      O apóstolo Paulo interpretou para todos nós o sentido evangélico da palavra graça. Em resumo, ela exprime “a mais inacreditável, generosa, inesperada e também imerecida ação de Deus para a humanidade: Ele mandou-nos Seu próprio Filho!” É neste sentido que a palavra graça enriquece o Natal.

     Por anos temos ouvido dizer às crianças que, se não forem boazinhas, nada receberão pelo Natal. Este conceito infere que um presente natalício é de certo modo ganho ou merecido por boa conduta. A ideia pode ter algum valor em estimular o comportamento infantil, numa espécie de jogo de conduta e recompensa, mas está longe de traduzir o conceito de graça inerente ao primeiro Natal: Nós recebemos um presente, o melhor de todos – Jesus Cristo –, quando não O merecíamos.

     Nós recebemos um presente, o mais precioso de sempre, quando nos comportávamos mal, em delitos e pecados para os quais só existia a pena de morte.

      Nós recebemos um presente, o mais necessário da vida, quando nem O esperávamos!

     Hoje há crianças e também adultos que já em Novembro falam de presentes específicos que vão receber pelo Natal. Mas quando o primeiro aconteceu, a humanidade foi apanhada de surpresa. Deus excedera o sonho mais brilhante do homem e lhe enviara muito mais que brinquedo ou presente de valor material: Jesus. Ele caracterizou assim o propósito da Sua chegada ao mundo: “Eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância” (João 10:10).

   Graça, surpresa de Deus e fronteira ilimitada do amor! Graça, vocábulo exclusivo de Deus posto na língua do homem para explicar o porquê eterno do Natal.

      Não foi só a Virgem de Nazaré que achou graça. Você e eu, também. Neste Natal prostremo-nos juntos em êxtase de fé: na pessoa de Jesus Cristo, Deus nos visitou; na Sua visita, Deus nos resgatou!

      Feliz Natal!
                                              – Jorge de Barros

O ARAUTO DA SANTIDADE.
Volume XII, Nº 24, 15 de Dezembro de 1983, p. 2.

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