terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Alegria: um bom remédio



Alegria: um bom remédio
(Days of Heaven upon earth, Albert Benjamin Simpson)

O coração alegre serve de bom remédio” 
(Provérbios 17:22)

    O Rei Salomão deixou entre os seus sábios dizeres uma prescrição para os corações tristes e doentes, e há um que podemos, de maneira segura, levar em conta. O coração alegre serve de bom remédio”. 

      A alegria é um grande restaurador e um grande médico. A alegria de espírito trará cura aos ossos e vitalidade para os nervos quando todos os outros remédios falharem, e todos os outros sedativos pararem de acalmar.

     Se estás doente, comece a se alegrar no Senhor, e seus ossos florescerão como a erva, e nossa face se iluminará com o florescer de saúde e frescor. 

     Preocupação, medo, desconfiança, ansiedade, todos são gotas de veneno. A alegria é bálsamo e cura, e, se você se alegrar, Deus te dará força. Ele te ordena a ser feliz e se regozijar; e Ele nunca falha para sustentar Seus filhos quando guardam os Seus mandamentos. 

     Alegre-se sempre no Senhor, Ele diz; não importa o quão triste, tentado, doente, ou sofrido que você esteja, alegre-se no Senhor justamente onde você esteja, e comece neste momento.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Deus não muda



“Não há limites para Deus. Não há limites para a Sua sabedoria. Não há limites para o Seu amor. Não há limites para a Sua sabedoria. Homens mudam, a moda muda, as condições e circunstâncias mudam, mas Deus não muda.” Billy Graham

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

A viagem da Christiana com os seus filhos – John Bunyan (1628-1688)



      Às vezes quando ouço alguém alegrando-se no Senhor, fico triste, porque eu não posso fazer o mesmo. Sou como um fraco entre os fortes, ou um doente entre os sadios, de modo que não sei o que fazer. “Aquele que é escarnecido pelo seu amigo, como eu, invocará a Deus e Ele ouvirá; porque se zomba da simplicidade dos justos, é lâmpada desprezada no conceito dos ricos” (Jó 12:4, 6).

Valente. — Pois, meu amigo, é meu cargo consolar os pusilânimes, e suportar os fracos. Deves nos acompanhar. Nós te esperaremos, e te socorreremos, negaremos algumas opiniões e cousas por tua causa; não disputaremos contigo. Faremos tudo para ti, antes que deixar-te atrás. (I Tessalonicenses 5:14; Romanos 14:1;1 Coríntios 8:9-13, 9:22).

    Estavam assim falando à porta de Gaio, quando chegou Sr. Prestes-a-Cair com suas muletas nas mãos, e ele também seguia o mesmo caminho.

Inteligência Fraca. — Sois bem-vindo, agora mesmo estou me queixando de não ter companheiro que me compita, e tu vieste para me acompanhar;. Muito bem  Prestes-a-Cair, espero que nos ajudemos um ao outro.

Prestes-a-Cair. —De boa vontade te acompanho, e como és fraco, te emprestarei das minhas muletas antes que deixar-te.

Inteligência Fraca. — Isso não, ainda que te agradeço; não quero manquejar antes de ser coxo. Contudo, pode me servir de arma contra algum cão.

Prestes-a-Cair. — Se eu ou minhas muletas podem te servir, estão às tuas ordens, Sr. Inteligência Fraca.

Portanto, seguiam Valente e Honesto adiante, depois Christiana e seus filhos, então Inteligêncicia Fraca e Prestes-a-Caeir com suas muletas.

Honesto. — Já que estamos a caminho, conta-nos alguma história proveitosa dos que já viajaram neste caminho.

Valente. – De boa vontade. Suponho que já tendes ouvido contar como Christão encontrou Apolião no Vale de Humilhação, e quanto custou-lhe passar o Vale da Sombra de Morte. Também tendes ouvido como Fiel foi acometido por Madama Concupiscência, o primeiro Adão, Rebelião e Vergonha Falsa, quatro velhacos dos piores que pode se encontrar neste caminho.

Honesto. —Sim, tenho ouvido falar nisso, mas Fiel foi acometido mais rijamente por Vergonha Falsa. Ele era incansável.

Valente. —P ois era, era sem vergonha.

Honesto. – Diga-nos, onde foi que Christão encontrou Falador; este também era da mesma gente.

Valente. – Era  um louco egoísta, contudo muitos o seguem.

Honesto. – Quase desencaminhou a Fiel.

Valente. — Sim, mas Christão logo endireitou-o outra vez.

    Assim caminharam até chegar ao lugar onde Evangelista encontrou Christão e Fiel, e advertiu-os do que havia de suceder-lhes à feira da Vaidade.

Valente. — Foi aqui que encontraram Evangelista, que contou-lhes o que haviam do sofrer na cidade de Vaidade.

Honesto. – dCom efeito! Era uma notícia dura para eles ouvirem.

Valente. — Pois era, mas, contudo, ele fortaleceu-os. Mas por que falarmos, nisso? Eram homens fortes como leões, nada podia desviá-los do caminho. Não  vos recordais como portaram-se perante o juiz?

Honesto. —Me lembro muito bem. Fiel sofreu também com muita coragem.

Valente. – Sim, e os seus sofrimentos tiveram bom resultado, porque Esperançoso e vários outros foram convertidos por causa de sua morte.

     Todos responderam, vamos para lá.
     Era já tarde quando chegaram aos arrabaldes da cidade, mas Valente sabia o caminho para a casa de Mnason e para lá dirigiram-se. Chegados à porta, chamaram o velho, e ele reconhecendo a voz de Valente, abriu-lhes a porta.

Mnason. —Que distância viajastes hoje?

     Responderam-lhe: Da casa de Gaio, o nosso amigo.

Mnason. – N?a verdade tendes feito uma boa jornada, e de certo estais bem cansados.
   
      E todos entraram, e se sentaram.

Valente. – Estais contentes, meus amigos? Eu posso vos afirmar que sois bem-vindos.

Mnsason. – Pois sois bem-vindos, e se quiserdes alguma cousa,  só tendes de pedi-la, e  faremos o possível  para arranjá-la.

Honesto.  — Há pouco, a nossa maior necessidade era pouso e boa companhia e agora temos ambas.

Mnason. — Quanto ao pouso, vedes o que é; quanto à companhia, resta prová-l a.

Valente. —Tenha a bondade de mostrar-nos os respectivos quartos.

     Então Mnason levou-os para seus quartos, também mostrou-lhes uma bonita sala de refeição, onde podiam cear.

      Depois de descansarem um pouco, Honesto perguntou ao velho se havia muita gente boa na cidade.

Mnason. —Há poucos homens de bem, comparados com os outros.

Honesto. — De que modo podemos encontrá-los? Porque para os peregrinos, o encontram com homens justos, é como a aparição da lua e as estrelas aos que estão no alto mar n’uma noite tempestuosa.

     Então Mnason chamou sua filha Amada e lhe disse: “Vá dizer a meus vizinhos, Srs. Contrito, Reto, Amador dos Santos, Não se Atreve a Mentir, o Arrependido, que tenho aqui em casa alguns amigos, que querem conversar com eles. Portanto, Amada foi chamá-los, e estes, tendo-os saudado, sentaram-se juntos à mesa.

Mnason. — Meus vizinhos, tenho como vedes, uma companhia de estrangeiros em minha casa. São peregrinos que vieram de longe e vão para o monte Sião. Quem pensais que é esta? Continuou ele, apontando a Christiana.    É a mulher do Christão, aquele célebre peregrino, que com Fiel, seu companheiro, foram tão maltratados nesta cidade.

     Ficaram admirados e disseram: “Não esperávamos ver a Christiana quando Amada nos chamou, por isso é uma verdadeira surpresa. Perguntaram a respeito da sua saúde e se estes moços eram filhos de Christão, e disseram-lhes: “O Rei a quem vós amais, servis vos torne como vosso pai, e  vos leve para onde ele está em paz.

     Depois de terem assentado, Honesto perguntou ao Sr. Contrito em que estado achava-se a cidade.

Contrito. — Andam todos muito atarefados no tempo das feiras. É difícil cuidar nas cousas espirituais, enquanto andamos assim rodeados. Quem mora em um lugar como este, tem relações com uma tal gente, necessita de uma advertência a todo o momento.

Honesto. —Como se portam com vós outros presentemente?

Contrito. — São mais moderados do que outrora. Sabeis de que modo foram maltratados o Christão e seu companheiro Fiel nesta cidade, mas ultimamente tem-se portado com mais brandura. Julgo que o sangue do Fiel pesa sobre eles até agora; porque desde que o queimaram, não se atreveram a queimar mais alguém. N’aquele tempo tínhamos medo de andar nas ruas, mas agora podemos sair.

N’aquele tempo o nome de crente era odiado, mas agora, em algumas partes da cidade, a religião é respeitada. Mas como tendes passado na viagem? Como portava-se a gente para convosco ?

Honesto. — Sucedeu a nós, como sempre sucede aos viajantes; às vezes nosso caminho era plano, às vezes era difícil; ora morro a cima, ora morro abaixo, nunca podíamos contar com certeza. As cousas nem sempre nos favoreciam; nem todos que encontrávamos eram amigos. Já tivemos algumas esfregas duras, e não sabemos o que sucederá até o fim da viagem.

IMPRENSA EVANGELICA.
               Nº 33, 14 DE AGOSTO DE 1879, p. 259-260.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

A viagem da Christiana com os seus filhos – John Bunyan (1628-1688)


Travou-se outra vez a luta, e Valente recuou a principio; mas, logo tomou ânimo, e deu com tanta força na cabeça e no lado do gigante, que este deixou cair sua espada; então Valente feriu-o o matou-o, tirando-lhe a cabeça, a qual trouxeram para a casa, onde levantaram-a n’uma estaca para servir de advertência a todos que procedessem como ele. Levaram também consigo para a casa, Inteligência Fraca, e perguntaram-lhe de que modo tinha caído nas mãos do gigante.

Inteligência Fraca. — Sou homem muito doentio, como vedes, e a morte veio batendo a minha porta todos os dias, de modo que julguei que nunca havia de gozar saúde em casa; portanto, encetei esta viagem, e tenho chegado até aí. Sai da Vila de Incerteza, onde nasci, e também meu pai. Não tenho forças nenhuma, nem do corpo, nem do espírito, mas, contudo, queria fazer esta viagem, ainda que tivesse de me arrastar pelo caminho. Quando cheguei à porta estreita, à entoada do caminho, o senhor da casa me acolheu com muita bondade, não disse nada a respeito do meu corpo abatido, nem do meu espírito fraco; porém me deu todas as cousas necessárias para a viagem, e me disse que esperasse até o fim. Quando cheguei à casa do Intérprete, também me mostraram muita bondade, e visto que o Monte Dificuldade era muito custoso para mim, ele mandou um dos seus servos levar-me nos braços morro acima.

     Contudo nenhum outro peregrino queria andar tão devagar como eu me acho forçado a andar, todos mo tem ajudado, e ao passar para diante, me disseram que não ficasse desanimado, que era a vontade do Senhor que os fracos se consolassem — I Tessalonicenses 5:14. Quando cheguei à Travessa do Assalto, encontrei-me com este gigante, e ele mandou preparar-me para lutar com ele. Mas, ai de mim, não pude, e ele se apoderou de mim. Julguei que não havia de me matar; também quando levou-me a sua cova, assentei que havia de sair vivo, porque tenho ouvido dizer que nenhum peregrino que está arrebatado violentamente, sem consentir, se guardar a fé, pode perder-se, segundo as leis do reino.

      Fui roubado, e isso esperava, mas vedes que tenho escapado com a vida, e por isso dou graças ao Rei, e a vós seus servos. Sei que hei de encontrar outras dificuldades, mas nisso estou resolvido; hei de correr quando puder; não podendo correr hei de andar; não podendo andar hei de arrastar-me pelo caminho.

     Quanto ao mais, graças Àquele que me amou, sei em quem tenho crido, o caminho está adiante de mim; meu espírito é minha esperança estão além do rio que não tem ponte, não obstante ter eu pouca inteligência.

Honesto. —Não conheceu há tempo um tal Temente?

Inteligência Fraca. — Conheço-o, sim; saiu da cidade de Estupidez, que está algumas quatro léguas ao norte da cidade de Destruição, e igualmente distante da minha casa; conhecemo-lo muito bem, pois era meu tio, irmão de meu pai. Parecíamos muito um com o outro; ele era um pouco mais baixo que eu, mas tínhamos as mesmas feições.

Honesto. —Vejo que conhecia-o, e acredito que sois parentes, porque tem o mesmo olhar tímido, a mesma cara pálida, e também o mesmo modo de falar.

Inteligência Fraca. — Assina dizem todos; eu também acho em mim as mesmas disposições e enfermidades que ele tinha.

Gaio. — Tem bom ânimo, és bem-vindo, a minha casa te é franca. Pede tudo que quiseres, e meus servos estão às tuas ordens para servir-te.

Inteligência Fraca. — Isto é um favor inesperado; é como uma luz que resplandece nas trevas. O gigante, Destroi-o-Bem, quis me fazer este favor quando me impediu, e não me quis deixar passar. Quis ele depois de me roubar que eu fosse à casa de Gaio.

    Enquanto assim falavam, veio alguém correndo, e batendo à porta, disse: “D’aqui à meia légua, um certo Sr. Errado, um peregrino, foi fulminado por um raio.

Inteligência Fraca. — Deveras, foi morto! Há poucos dias autos de chegar cá me alcançou no caminho, e quis me acompanhar. Também estava amigo quando Desitroi-o-Bem me pegou, mas como era muito ligeiro, elle escapou. Porém, ele escapou para morrer, e eu fui preso para viver.

     Logo depois, Matheus e Phebe casaram-se, também Gaio deu sua filha Phebe em casamento a Thiago. Depois deste casamento passaram alguns dias em casa de Gaio, gastando o tempo como é costume dos peregrinos nestas ocasiões.

     Na véspera da sua partida Gaio fez-lhes uma festa, e beberam e comeram e alegraram-se. Tendo chegado a hora deles saírem, Valente pediu a conta.

     Porém Gaio lhe respondeu que na sua casa não era costume cobrar dos peregrinos; ele os hospedava por amor, e esperava sua paga do bom Samaritano, que lhe prometera pagar-lhe tudo na sua volta, — Lucas 10:34,35.

Valente. — Caríssimo, tu te portas com fidelidade em tudo que fazes com os irmãos, e particularmente com os peregrinos, os quais deram testemunho da tua caridade na face da Igreja, aos quais só tu encaminhai-os como convém; segundo, Deus fará bem. (III João 5:6). Então Gaio despediu-se de todos, e particularmente dos seus filhos, e de Inteligência Fraca.

      Também lhes deu alguma cousa para comer no caminho.

      Enquanto saíam, Inteligência Fraca demorou-se na porta. Vendo isto Valente disse-lhe: “Vem nos acompanhar, ou serei teu condutor, e tomaras parte conosco”.

Inteligência Fraca. —Ai de mim, não sou capaz de vos acompanhar; pois vós todos sois fortes, e eu, como vedes, sou fraco; antes quero seguir atrás, para que não fique enfadado para vós e para mim mesmo, por causa das minhas enfermidades.

     Como já disse, sou fraco, e tenho pouca inteligência, e tropeçarei nas cousas das quais os outros não fariam caso. Eu não gosto de gracejos, nem de roupas bonitas, nem de muito falar. Sim, sou tão fraco que não posso admitir muitas cousas que são lícitas para os outros. Muitas verdades eu não conheço ; eu sou muito ignorante.

IMPRENSA EVANGELICA.

               Nº 32, 07 DE AGOSTO DE 1879, p. 255-256.