quarta-feira, 24 de agosto de 2016

AMANHÃ



 

AMANHÃ

Harriet Beecher Stowe, em seu livrinho “Cristo chega amanhã”, põe na boca de um banqueiro estas palavras, ditas a sua esposa:

– Olha, querida, eu não tenho vontade nenhuma de me encontrar com Ele. Se Ele quisesse, dar-lhe-ia três milhões de dólares para a fundação de um hospital, se Ele quisesse aceitar isso para não vir.

– Mas, responde a esposa, não é Ele o nosso melhor amigo?

– Sim, mas eu não tenho vontade alguma que Ele venha. Estás vendo esta pilha de títulos? Isto representa muitos milhões. Isto hoje é meu, mas se Cristo vier amanhã, não valem mais coisa alguma. Eu daria metade; daria mesmo tudo isto, se Cristo não viesse estes cem anos.
     Muitos se soubessem que Cristo viria amanhã, às 13 e ½ horas, pecariam até as 13, exatamente como o fazem até chegarem à beira da sepultura.

      Qual é o credo da incredulidade? Não há pecado, não há vida futura, não há julgamento, não há Palavra de Deus. O homem é um simples animal; portanto, toca a dar livre expansão às paixões, porque amanhã morreremos. Quando o relógio da eternidade bater a hora da vinda de Jesus, então as Sodomas modernas, aqueles que se banqueteavam às mesas da impiedade, indiferença e pecado, hão de levantar-se horrorizados, como Baltazar, ao ver a mão misteriosa escrevendo na parede; e hão de reconhecer com horror que Aquele que desprezaram é o Senhor Todo Poderoso, que chega para julgá-los.

 Como Jesus chorou sobre a cidade de Jerusalém, assim chora sobre as cidades hodiernas, que recusam tomar conhecimento do que mais conviria à sua paz. Como foi na primeira, assim será na segunda aparição. Alguém disse muito apropriadamente: “Herodes prefere a companhia de Herodias; Pilatos opta pela amizade César; Judas escolhe as trinta moedas; Israel prefere Barrabás, e manda Cristo para o Calvário”.

Nosso Senhor brevemente vos chamará à eternidade, Ele certamente vem, e não vem mais tarde do que devia vir. Portanto, não descanseis sob as ruínas da vossa natureza imortal. Todas as vossas riquezas se evaporarão pelo primeiro vento do mar eterno. Aquele que pagou o incalculável custo da vossa regeneração tem esperado por longo tempo que aceiteis a pérola de grande preço. Se a rejeitardes, vossa perda será irremediável e eterna.

O Jornal Baptista. Ano XVII, Nº 14.
Rio de Janeiro-RJ, 5 de Abril de 1917, p. 1.


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