Trechos do artigo In the heart of Brazil publicado na revista The Bible in the World, Outubro de 1910, p. 305-308:
“O
grande estado brasileiro de Mato Grosso, situado no centro da América do Sul,
tem uma área igual à área combinada da França, Alemanha e Inglaterra... O Sr.
Archibald Macintyre, cujos serviços foram emprestados à Sociedade Bíblica pela
South American Evangelical Mission, trabalhou neste Estado por onze meses, no
último ano. Ele é um colportor ideal, e tem feito um nobre trabalho para nós.
Ele começou o ano em Cuiabá, a capital do Estado, no qual fez muitas
expedições, e finalmente atravessou o interior no outono, indo de Cuiabá para
Goiás. Os parágrafos a seguir do novo relatório da Agência brasileira da
Sociedade Bíblica dá um vislumbre as experiências do Sr. Macintyre durante
estas jornadas. ‘Em 1909 partimos para uma viagem entre as montanhas, perto de
Cuiabá. Na primeira noite chegamos a uma casa vazia à beira da estrada, e nos
apossamos desta casa para passar a noite. Na manhã seguinte fomos visitados
pelo dono da casa, que veio saber como foi que passamos a noite na ‘casa
assombrada’... O dono da casa nos informou que pegamos a estrada errada.
Contudo, avistamos as distantes colinas bem firma em ousado repouso, então
rumamos adiante. Quando passávamos por uma casa solitária, fomos convidados a
entrar. Todos os moradores ouviram com muita atenção enquanto contei a eles a
maravilhosa história do amor de Deus pelos pecadores, e cantamos alguns hinos.
Felizmente, um jovem sabia ler, então compraram uma Bíblia. Na partida, explicamos
a eles que nossa visita foi o resultado de um engano que cometemos em nossa
jornada, pelo que respondera: ‘Deus enviou vocês aqui! Deus enviou vocês
aqui!’. Ao pé das montanhas, apeamos, desmontamos as nossas selas, colocamos
nossas capas de chuvas, e, levamos nossos animais, começamos nossa subida na
chuva. Na metade do caminho, paramos na casa de um fazendeiro alemão, que vivia
como um eremita. Atiramos nossas redes debaixo de um galpão de ferro ondulado,
e passamos aquela noite muito mal, devido o frio. A névoa da montanha estava
muito espessa ao nosso redor, e nossas roupas ficaram úmidas. Tomamos um banho
debaixo das quedas d’água, e fizemos o desjejum antes de encarar a parte mais
alta da montanha. Depois de muito labor chegamos ao topo, e tivemos uma grande
vista da grande planície abaixo de nós. Aqui fomos recebidos com muita
gentileza na casa do fazendeiro que sabia da nossa missão. Na vila, vendemos
quase todas as nossas Bíblias, para a satisfação de nosso hóspede. Eu lhe
presenteei com um Novo Testamento, com o qual o nosso hóspede ficou deleitoso
em obter. Ele nos deu um pouco de comida para nossa jornada, dizendo que nossa
visita foi muito curta. Densas florestas de seringueiras estendem-se de
Diamantino, noroeste de Cuiabá, a muitas centenas de milhas dentro do grande
interior desconhecido de Mato Grosso... As regiões de seringueiras são muito
insalubres. Além de um tipo muito mal de febre, há uma espécie de doença do
sono que é mais receosa que a febre, ainda que curável se tratada a tempo.
Encontrei dois homens indo para a cidade fazer tratamento. Um estava muito
fraco, e o outro tinha feridas nas pernas, por causa das picadas dos insetos e
causavam muito sofrimento. Voltei ao longo da estrada principal para trabalhar
uma grande vila chamada Brotas, entre Cuiabá e Diamantino. Cheguei a esta vila
por volta do meio-dia, e comecei a oferecer minhas Bíblias. Um oficial de telégrafo
comprou uma Bíblia, e demonstrou comigo grande simpatia. Este oficial de
telégrafo andou pelos arredores da vila comigo e instamos o povo a comprar
Bíblias. Um homem comprou uma Bíblia, dizendo que um missionário o tinha
presenteado com uma cópia da Bíblia dez anos atrás, mas o padre queimou esta
cópia. Ao partir de Brotas, passei por duas ou três casas onde vendi umas
poucas Bíblias, mas ao findar do dia, me vi distante das habitações humanas,
então me fixei na floresta para descansar para a noite. Amarrando minha rede
entre duas árvores, logo me sentei nela, com um suprimento abundante de matula (comida para a viagem), também ao
meu lado. De repente, uma árvore se quebrou, e eu caí, com matula e tudo. Alua nova me ajudou a selecionar uma árvore mais
segura. Mas, desta vez a corda partiu, e eu caí de novo. Uma terceira tentativa
foi bem sucedida, e terminei minha refeição da noite em paz. A noite nestas
regiões é muito fria, então levantei com os primeiros vestígios do amanhecer e
segui a minha jornada para Rosário, uma duas léguas de distância... Em Rosário
fui bem recebida, e me tornei próximo dos principais líderes do lugar, muitos
dos quais comprou Bíblias. De Rosário fui para Diamantino, que fica cerca de
quatorze léguas de muito difícil cavalgada... É uma pequena vila dispersa, e
gastei só um dia lá, mas vendi todas as Bíblias e Novos Testamentos para um
seringueiro. Vi uma Bíblia grande na mesa dele, perguntei o porquê ele estava
comprando outra. ‘Oh,’ disse ele, ‘esta Bíblia peguei emprestada de um amigo, e
estou ansioso para comprar uma Bíblia para mim mesmo.’ Na minha viagem entre
Cuiabá e Goiás, tive um esplêndido tempo em Coxim, e estive presente no
primeiro culto protestante que já foi realizado lá. Como S. Paulo em Filipos,
encontrei umas senhoras que organizaram uma reunião para mim. Uma delas arrumou
sua sala com muito bom gosto, e teve fé o suficiente para colocar bancos do
lado de fora, na rua. ‘Veja,’ disse ela, ‘muita gente virá para te ouvir.’ A
outra senhora foi pelos arredores e convenceu as pessoas a comparecerem. Uma
grande multidão estava me esperando, e cada assento estava ocupado, muitos
estavam de pé, e a atenção deles foi tudo o que eu desejava. O seleiro da vila
foi muito simpático comigo, e ele permaneceu ao meu lado e me ajudou nos
cânticos. Depois que a reunião terminou, fui obrigado a cantar para eles mais
uma vez até saberem os corinhos de cor... Muitos me disseram que esta era a boa
notícia pela qual estavam esperando, e me deram muito café e muito mate como sinal de sua amabilidade para
comigo. Na minha jornada para Coxim, visitei a vila indígena dos Bororós, e
dormi a noite inteira na cabana do chefe... Estes índios são completamente
desconhecedores do Evangelho... Continuando nossa jornada, foi com muita
dificuldade que encontramos uma velha cabana no meio da floresta... No dia
seguinte, chegamos ao Rio Corrente. Aqui, dois homens vieram ao nosso rancho para comprar Bíblias de mim, e
encontrei um homem trabalhando nas matas que insistiu comigo para ir com ele
até sua casa para que pudesse comprar um Novo Testamento grande. No mesmo
lugar, vi duas carroças carregadas com sal em sua viagem de retorno para Goiás,
distante oitenta léguas... Atravessamos nossos animais pelo Rio Corrente... E
então chegamos a S. Luzia. No caminho, vendi alguns Novos Testamentos e
Evangelhos... Em Jataí, encontrei dois crentes, um é turco, que alegava ser
um episcopal, e é o principal homem de negócios do local. Ele era um exibidor
de cinematógrafo. Certa noite a chuva caiu por cerca de uma hora após a sessão
de exibição de cinematógrafo começar. As luzes se apagaram, e houve uma
correria da tenda. Eu estava sentado, escrevendo no meu abrigo, um salão de
bilhar, quando um monte de pessoas, em sua maioria mulheres da localidade,
entraram para se abrigarem. Enquanto esperavam a tempestade passar, me ofereci
para cantar para eles, e concordaram. Então cantei em português ‘The Best
friend to have is Jesus’, (‘Sei que o amigo melhor é Cristo’). Eles pareceram
interessados, e me rogaram para cantar mais uma vez. Fiquei nesta cidade dois
dias e vendi um bom número de Novos Testamentos e Evangelhos. Numa pequena casa
li e expliquei uma porção da Bíblia para um soldado que esteve na Guerra do
Paraguai. Quando fechei a Bíblia, ele disse: ‘Quero ouvir mais! Quero ouvir
mais!’. Ele nunca ouvira as boas novas antes. Numa das últimas vilas antes de
alcançar Goiás, vendi todo o meu estoque de Bíblias, então cavalgamos muito até
chegar à capital.”

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