Sant'anna do Paranahyba: a última vereda do Sertão da Farinha Podre

 

Recorte de mapa de 1886, mostrando Sant'Anna do Paranahyba, atual Paranaíba-MS
Acervo Fundação Biblioteca Nacional do Brasil

Sant'anna do Paranahyba, é o atual Município de Paranaíba, Mato Grosso do Sul, um território fundado em 1835 pelo Capitão José Garcia Leal (1786-1862).

Pela lei provincial de Mato Grosso, de número 05 de 04 de Julho de 1857, a então freguesia de Sant'anna do Paranahyba foi elevada à categoria de vila, conseguindo assim sua emancipação político-administrativa.

"Por escriptura de 10 de Agosto d'aquelle mesmo anno de 1857, o patriotico cidadão Martim Gabriel de Mello Taques... e sua exma. sra., d. Anna Fausta Fagundes de Mello... doaram ao publico da nova villa uma casa de espaçosos salões para as sessões da camara municipal." (O Republicano, nº 13, 26 de Dezembro de 1895, p. 03)

Um dos primeiros pastores evangélicos a pregar em Sant'anna do Paranahyba, foi o Rev. Thomaz Pinheiro Guimarães (1884-1962), pastor presbiteriano indepente e advogado.

                                                Rev. Thomaz Pinheiro Guimarães (1884-1962)
Foto: O Estandarte, 23 de Março de 1922, p. 01

Julio Pinheiro, em escreveu sobre o trabalho evangélico em Sant'anna do Paranahyba, e este relato foi publicado no jornal presbiteriano indepente O Estandarte, edição nº 47, de 23 de Novembro de 1911, p. 02.

"Antes de Manoel Bispo emprehender sua celebre viagem de 52 leguas em busca de uma Biblia de que tivera noticia, já por ali havia passado um tal Sebastião, fiscal, individuo com ares assim mysteriosos, de procedencia ignorada e methodista de origem, segundo dizem. Este homem annunciava o Evangelho a quantos encontrava, explicava as Escripturas, não obstante não trazer comsigo a Biblia! pelo menos ninguem lhe viu o precioso volume nem outro qualquer tractado religioso. Entre outras coisas, dizia elle, mais ou menos, o seguinte: Eu annuneio o Evangelho, porém depois de mim virão outros, que mais claramente vos explicarão estas coisas; finalmente o ministro virá receber-vos á communhão! Realizaram-se em grande parte os sympathicos vacticinios do extranho propheta que, pelos modos, parecia ter em vista tornar-se um segundo precursor de boas novas. E de facto sabem todos que ha hoje em Matto-Grosso uma boa congregação filiada é nossa denominação, e que este pequeno nucleo de crentes póde, com a graça de Deus, tornar-se em egreja forte e aguerrida contra as potencias do mal. Como esta congregação se formou, disse-o eu no rapido historico que fiz na primeira correspondencia, e que por seguro aqui reproduzo. Depois dos factos acima referidos, por mandado do Presbyterio fez uma primeira viagem até lá o colportor-catechista João Garcia. Instruiu como pôde os neophytos e preparou-os para a visita pastoral. Esta realizou-ao Rev. Chiquito, o qual em companhia do mesmo Garcia esteve entre aquelles irmãos em abril do anno passado. Recebeu em profissão todos os conversos, excepção de alguns que por varias circumstaucias tiveram de adiar a profissão. Desde ahi para cá, as coisas por lá teem corrido mais certo; além disso, o incansavel João Garcia lá voltou mais uma vez sozinho em meiado deste anno e agora, pela quarta vez, com o Rev. Thomaz Guimarães. [...]" (RIBEIRO, Julio. O Evangelho em Matto-Grosso. O Estandarte, edição nº 47, de 23 de Novembro de 1911, p. 02)

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