Anúncio de literatura evangélica, chamada à época de protestante,
publicada no Jornal do Commercio, nº 150, de 9 de Julho de 1839, p. 04
Acervo Fundação Biblioteca Nacional do Brasil
O periódico Jornal do Commercio, publicado no Rio de Janeiro, em sua edição de 09 de Julho de 1839, p. 04, traz a publicação de anúncio de literatura protestante, atualmente chamada de literatura evangélica, anunciando livros e folhetos evangélicos como Joven Aldeana (The young cottager), escrito pelo Rev. Legh Richmond (1772-1827); Henriquinho e o seu criado Boosy (The history of little Henry and his bearer) escrito por Mary Martha Sherwood (1775–1851).
No anúncio do Jornal do Commercio de 09 de Julho de 1839, diz que esta literatura era encontrado próximo à loja de livros da Rua da Alfândega, nº 8, perto da Rua Direita.
No Brasil Império, a Constituição vigente à época, só autorizava os chamados cultos acatólicos, em ambientes domésticos, e o local não podia ter exterior que lembrasse um templo, e os cultos deveriam ser realizados apenas em língua estrangeira.
Com a chegada ao Brasil do missionário e médico escocês Robert Reid Kalley (1808-1889), no ano de 1855, a liberdade de culto no Brasil ganhou um novo capítulo, pois o missionário Kalley realizou no Morro da Saúde, no Rio de Janeiro, o primeiro culto evangélico em língua portuguesa no Brasil, opondo-se à restrição da Constituição vigente.
Robert R. Kalley fez circular em 1856, no jornal Correio Mercantil, sua tradução de Pilgrim's Progress sob o título de A viagem do Christão para a bem-aventurança eterna por um dos seus companheiros, e esta obra foi escrita pelo pastor batista John Bunyan (1628-1688).
O pastor metodista João Correa testemunhoo a influência da literatura evangélica no começo de sua conversão, e este relato foi publicado no jornal o jornal Imprensa Evangelica, nº 15, de 1º de Agosto de 1885, p. 116, e um dos trechos o pastor metodista rememorou:
"Um dia, em Porto Alegre, passando por uma casa de negocio de lampeões de kerozene e machinas de costura, parei diante de um escaparate para ver funccionar um pequeno motor que estava de amostra n'elle. Não ficando satisfeito com ver, entrei no estabelecimento e pedi para vel-o de mais perto e até, como as crianças, agarrar para melhor satisfação. Entrando na loja, deparei logo com um senhor que á primeira vista pareceu-me ser da raça Anglo-Saxona. Conversei longamente com o dito sr. e me retirei depois, promettendo voltar para fallarmos sobre o mesmo assumpto. Um dia a nossa conversação versou sobre o amor de Christo e elle me deu um Novo Testamento, uma Viagem do Christão e um outro livro pequeno, intitulado—Henriquinho e o seu criado Boosy. Levei para a casa onde estava empregado e de noite devorava as suas paginas."

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